quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O Segredo da Boa Decisão (a intuição pode superar a razão com sucesso)

Willenbrock, Harald. O Segredo da Boa Decisão, Revista GEO, Edição 5 - 2009
Disponível em: http://revistageo.uol.com.br/cultura-expedicoes/5/o-segredo-da-boa-decisao-ao-final-destas-linhas-150440-1.asp

Diferente dos antepassados, cuja vida seguia trilhas pré-demarcadas, o ser humano contemporâneo se depara com uma grande rede de possíveis caminhos ao longo da vida. E quanto mais opções se abrem, com uma frequência cada vez maior é preciso tomar decisões. Embora de um certo ponto de vista essa gama de opções signifique liberdade de escolha, representa também uma grande responsabilidade, à medida que as "decisões são reais, com efeitos concretos e consideráveis danos colaterais."
Pesquisadores que estudam os processos de tomar decisões constataram que existem algumas estratégias que permitem tomar decisões melhores:
a) Piloto automático
99,9% do trabalho executado pelo cérebro ocorreria de forma inconsciente mas surpreendentemente as "decisões rápidas e intuitivas são, na maioria dos casos, muito melhores do que as resoluções tomadas após cuidadosa avaliação. A maioria de nossas 100 mil decisões diárias é tomada automaticamente: comer, dirigir, telefonar (às vezes tudo simultaneamente) são atividades que dominamos sem precisar pensar sobre a próxima garfada, ou a localização exata de nosso local de trabalho". Os melhores enxadristas são mestres dessa intuição aprendida. "Quase inconscientemente, eles reconhecem até 50 mil posições, o que os ajuda a decidir em frações de segundo".
b) Decisão pelo sentimento
Segundo Gary Klein, psicólogo americano e especialista em Teoria da Decisão, uma boa estratégia para decisões bem-sucedidas é: "siga sua voz interior e, quanto mais alto ela se manifestar, aja rápido!". O psicólogo holandês Ap Dijksterhuis salienta que "a intuição, mesmo sem muito treinamento, sempre é o melhor conselheiro quando há muitos critérios a serem levados em consideração ao mesmo tempo." e que "os sentimentos, tradicionalmente condenados como inimigos naturais da boa decisão, nada mais são do que um saber altamente concentrado." porque a maior parte das impressões cerebrais é processada pelo inconsciente, que traduz informações em emoções.
c) Usar razão e intuição mas limitar o tempo para avaliação racional
Até a mais treinada intuição pode não funcionar quando entram novos fatores em jogo. Para os iniciantes em uma atividade por exemplo, quanto mais conscientemente eles analisam os problemas mais certeiras são as suas decisões. Segundo Gerhard Roth, pesquisador alemão de atividades cerebrais, existe uma espécie de termômetro que faz com que o cérebro separe e compartimentalize os problemas que o inconsciente sozinho não administraria. Mas para psicólogo holandês Ap Dijksterhuis, deve haver um limite de tempo para a avaliação consciente dos prós e contras. Depois disso, o melhor seria dormir uma noite antes de tomar a decisão final, de forma que subconsciente organizasse os argumentos. O inconsciente revisa automaticamente se os argumentos são compatíveis com nossas experiências, valores e sentimentos.
d) Gostar de decidir
O psicólogo Dietrich Dörner denomina de “inteligência operacional” a competência pragmática para tomar decisão. Em parte ela pode ser inata, na forma da escolha natural e intuitiva do modelo decisório adequado, mas grande parte pode ser aprendida. Isso porque somos obrigados a tomar decisões e aprender com elas, chegando a conclusões melhores.

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